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Travis Louie e seus fabulosos monstros

Na grande maioria das imagens que pairam pelo conteúdo do Woww, o belo e o incrível se combinam formando grandes trabalhos visuais. Bom exemplos são as imagens de Clark Little do post anterior ou as fotos da lua para colecionar de Laurent Laveder.

Com pitadas de grotesco e horrível, o ilustrador Travis Louie desenvolve os personagens que retrata em suas telas de atmosfera típica do estilo Film noir, os clássicos de horror da década de 40. São seres curiosos e míticos, habitantes de um mundo imaginário com características da era Vitoriana, criados por Louie.

Influenciado por filmes de horror e ficção científica, também por obras de diretores consagrados como Fritz Lang e Orson Welles, Travis busca o humor dramático de suas telas aplicando a técnica que desenvolveu usando tinta acrílica sobre traços finos de grafite feitos sobre papel seda. Abaixo a tradicional seleção da super galeria:

The Vamp circa 1873

Walter Pug

Naven

Rooty

Candletop Hastings

Montys Day of the Dead

Two Head Fread

Para a seleção acima optei em trazer o que tinha de menos horrível na galeria do site de Travis. Alguns como o Two Head Fread e Monty, o esqueleto espantado, são até simpáticos. Já o canino Walter Pug e o "aracno" Naven deixariam um cliente amedrontado ao chegar em um escritório de paredes decoradas por seus retratos. A Vamp Circa é uma típica femme fatalle protagonista dos filmes da década de 40, época onde o film noir reinava nas salas de cinema.

Travis Louie é designer graduado no Pratt Institute que fica no Brooklyn, Nova York, e constantemente expõe seus trabalhos em galerias e exposições pela terra de Obama. Resta a nós visitarmos sua galeria e seu blog para matarmos nossa curiosidade por monstros noir.

Fonte: Travis Louie

Anúncios cômicos do filme Aliens vs Predador

Estamos vivos (ainda), recomeçar é preciso!

Faz tempo desde minha última investida em conteúdo aqui no Woww. Tentamos dar alguma satisfação a respeito de nossa distância, mas é complicado deixar um blog como este tanto tempo parado.

Por conta da faculdade, cruel algoz do escasso tempo de seus alunos, eu e Grase mergulhamos no mundo dos biscoitos. Cada um com sua equipe, está correndo para desenvolver uma marca de biscoito bem como todo seu processo de fabricação e distribuição.

Como esta não é a única empreitada da vez, cada uma das demais disciplinas está nos bombardeando com trabalhos e projetos tomando toda a atenção que dispomos, muito mais que nas primeiras versões do "Mês da Morte 1 e 2". O que nos anima (as vezes nem tanto) é o fato deste ser o último episódio da era graduação. Nos semestres seguintes estágio e monografia farão o prelúdio à sonhada formatura.

Dados os devidos esclarecimentos e a breve revisão acadêmica da equipe, o assunto deste post são as peças gráficas da campanha realizada pela SKY neozelandesa para promover a exibição na TV do filme Aliens Vs Predador 2. Desenvolvida pela DDB New Zealand, a campanha impressa mostra os dois astros do título em duelos de xadrez, sinuca e swingball relativamente amigáveis levando-se em conta o histórico de sua relação. Confira:

Aliens vs Predator chess

Aliens vs Predator pool

Aliens vs Predator swingball

Talvez aqueles que não assistiram ao filme ou não conheçam a relação entre estes monstros, apenas admiraram a excelente qualidade do trabalho de modelagem e texturização da equipe da 3D Cluster. A brilhante sacada destas peças foi colocar um Alien em cena com seu Predador em confrontos muito menos violentos que os vistos no filme em questão e ambientados em cenários distintos das selvas, naves espaciais e terras inóspitas dos filmes anteriores.

Impossível deixar de observar a taça de vinho na mão esquerda no Predador na partida de xadrez, o cigarro na mão do Alien na partida de sinuca e a empolgação da dupla jogando swingball, idéias impraticáveis para os fãs dos monstros.

Para aqueles como eu, que não acreditaram que as imagens foram feitas com computação gráfica, a 3D Cluster fez um breve resumo do processo de criação das imagens. Vale a pena a visita!

Aliens vs Predator  showcase

Fonte: The Inspiration Room, 3D Cluster

I Met The Walrus: animação feita com entrevista de John Lennon

i met the walrus
Em 2008, entre os indicados ao Oscar de melhor curta de animação, estava o belo vídeo I Met the Walrus, que na época acabei não dando a merecida atenção pelo destaque dado ao concorrente vencedor daquela edição. Produzido por Jerry Levitan, o curta mostra belos grafismos feitos por James Braithwaite a partir das palavras ditas por John Lennon durante uma entrevista realizada pelo próprio Jerry em 1969, na ocasião com 14 anos de idade.

john yoko bed

Com o áudio original de 40min de duração, capturado por um gravador de rolo em um quarto de hotel em Toronto, a entrevista de I Met the Walrus tem a paz como tema. Oportuno para o momento em que John e Yoko, através do movimento Bed-Ins for Peace, faziam seus protestos pacíficos em prol do fim da guerra do Vietnã. Assista:


A ligação e sincronia entre as ideias do discurso de John e as ilustrações do curta são incríveis, resultado da bela narrativa visual escrita pelo diretor Josh Raskin e animada pelo mestre Alex Kurina. Destaco os momentos em que o ex-beatle fala "Peace is Big" e "Piss the Peace". Tenho certeza que camisetas com estas ilustrações venderiam MUITO, ainda mais se fossem para promover algum movimento pacífico.

Peace is Big

Piss for Peace

Concept Art de Dan LuVisi

Uma das atividades que minha querida Nona mais me estimulou a fazer quando pequeno foi desenhar. Em sua casa, além das delícias e guloseimas que me aguardavam, existia uma gaveta no balcão da sala onde ficavam uma caixa de lápis coloridos e um caderno de desenho. No tapete da sala, devidamente coberto por um lençol branco, era onde passava as tardes sentado, comendo bolachas recheadas da Tostines sabor morango e desenhando de tudo: carros, aviões, navios e alguns personagens que criava.

Mesmo com todo este estímulo recebido, sou honesto e assumo que desenho mal :( Até consigo expressar alguma coisa em sketchs e rabiscos durante brainstorms, mas se dependesse de papel e lápis para viver, acho que estaria muito preocupado.

Mesmo não tendo o dom do desenho, ou mesmo exercitado o suficiente para ter orgulho dos meus rabiscos, gosto e admiro muito trabalhos bem feitos. Outro dia conheci os desenhos de Daniel LuVisi e me tornei fã instantaneamente. Em suas peças, além de traços precisos e excelente acabamento, suas criações de temas militares e personagens do cinema contém detalhes que contam estórias, mais ou menos como fotografias.

Fiz uma breve seleção de desenhos de Dan LuVisi seguidos de algumas observações. Curtam:


Na versão ampliada do tubarão branco acima é possível perceber alguns flocos de neve caindo fora de foco. Este efeito também foi aplicado na ondulação colocada na base da ilustração, aumentando o realismo do desenho. Belas sacadas nas cicatrizes da testa do animal e no pequeno aquário que carrega um peixe-palhaço (Nemo).

Snake Eyes e Cobra de Gelo by Dan LuVisi
Vibrei ao encontrar esta ilustração comemorativa do aniversário de 20 anos dos G.I. Joe feita para Asbro, me fez lembrar da série exibida na TV. O Cobra de Gelo e o Snake Eyes fazem parte da minha coleção secreta de Comandos em Ação.


Segundo Dan, este foi o desenho mais complexo feito por ele. Pelos detalhes 1, 2 e 3 dá pra entender o motivo pelo qual o desenhista não fará outro Transformer sem um contrato com Michael Bay ou a própria Asbro.


ALIENS by Dan LuVisi
O Alien acima ficou uns dias no meu desktop, mas fui obrigado a retirá-lo. Cada vez que minimizava as janelas levava um baita susto ao dar de cara com este sorriso cheio de gosma alienígena.


Quantos filmes de Tim Burton você identifica na imagem acima?! E quantos com Johnny Depp?! Esta ilustração foi feita a pedido de um produtor que trabalhou com Tim, e foi fixada em uma parede de seu escritório.

Spiderman e Venon  by Dan LuVisi


O assassino acima é a melhor peça da galeria na minha opinião. Segundo Dan: "não dá pra identificar quem ele é, onde está ou o que está fazendo, somente que ele pode causar muito estrago". Isto fica bem claro pela quantidade traços sinalizando os mortos no combate espalhadas pelo seu corpo, além dos vários tiros que atingiram a sua couraça. Imagino que alguém vai pagar caro (ou já pagou) por ter atingido o porta M&M da sua cintura.

Mais uma vez me contive para não colocar a galeria inteira. Convido aqueles que quiserem ver mais ilustrações de Daniel LuVisi, para dar uma olhada nas ilustrações feitas do Batman (The Dark Night), do Duas Caras, do Coringa, do Predador e do Homem de Ferro.

Outras toneladas de imagens do artista para guardar em:

A arte dos Luggage Labels

Luggage Labels - Engadine Richter

Para os apreciadores uma coleção; para nós da área gráfica uma fonte de inspiração; e para os curiosos, no mínimo, um ícone que faz lembrar que as malas que circulavam por estações afora recebiam uma atenção a parte. Estou falando dos "Luggage Labels", ou melhor, aqueles rótulos [adesivos ou bordados] que customizavam as malas de antigamente. Mais precisamente entre 1900 e 1950.

Durante esse tempo os rótulos foram amplamente usados por hotéis como forma de propaganda. Um meio ágil de chegar aos lugares mais remotos através dos próprios hóspedes juntamente com seu testemunho sobre o local visitado.

Luggage Labels - Cairo

Ricamente influenciados pela Art Deco e Art Nouveau hoje são objetos de coleção que chegam a custar fortunas. Ao longo do período onde sua difusão foi maior, qualquer punhado de moedinhas já era suficiente pra conseguir alguns. Hoje com a falta de material novo ficou difícil para os colecionadores atualizarem suas compilações.

As empresas que ficaram mais famosas em produzir os rótulos foram a BRÜGGER of Meiringen, A. TRÜB & Cie of Aarau e principalmente a Richter & Co. A produção desses rótulos era basicamente feita através de litografia, gravura e cromolitografia.

Luggage Labels - Naples

O apreciador mais fiel é Tom Schifanella. Em entrevista o designer gráfico conta que começou sua coleção comprando os rótulos por poucos centavos. Foi quando por volta de 1980 o tema se tornou objeto de desejo e algumas coleções hoje passam da casa dos milhares de dólares. Ele também conta que essas pequenas peças tem relação estreita com muitos cartazes da mesma época, fazendo um conjunto e um marco nos movimentos artísticos de antigamente.

Em seu Flickr é possível passear por vários lugares através desses rótulos.

Outro colecionador, e por que não pesquisador do assunto, é o português João Mimoso. Para os que se interessaram pelo assunto ou pela beleza das gravuras, seu site traz informações completas tratando desde da história até as figuras separadas por temas.

Fonte: Dark Roasted Blend e Tom Schifanella's Website.

Em Cartaz, Os Sete Pecados Capitais

Muito antes de Se7en aparecer nas telas de cinema, impressionando a todos com um serial killer decapitador de esposas grávidas de policiais, os sete pecados capitais servem como parâmetro para os ensinamentos do catolicismo. Diferente dos pecados ditos "normais", que são perdoáveis mesmo sem a penitência, os pecados capitais são considerados mortais levando a alma pecadora a danação eterna. A única saída para o pecador salvar-se das chamas do purgatório é arrepender-se e cumprir a devida penitência.

A agência Euro RSCG de Paris, a pedido do canal de suspense 13eme Rue, desenvolveu um cartaz para anunciar uma série de sete episódios que trata dos pecados capitais. A bela ilustração de Landry Stark mostra um cérebro pernalta no início de uma jornada onde deve superar o caminho da perdição para alcançar sua salvação eterna. Nesta rota ele passará por algo tipo as sete casas dos pecados capitais, que tentarão o personagem durante essa travessia. Interpretações a parte, veja o cartaz abaixo e tire suas conclusões:

A seqüência de pecados inicia pela gula (gluttony), passando pela inveja (envy), soberba/orgulho (pride), ira (Wrath), preguiça (sloth), avareza/ganância (greed) e luxúria (lust). Tudo é genial no cartaz, mas a forma que soberba e preguiça foram representados merecem comentários a parte.

soberba

O capacho com a palavra ME seguido de um tapete vermelho são tentações insuportáveis aos orgulhosos inveterados, que ao entrarem no recinto cheio de olhos e espelhos narcisos serão saciados de sua sede de si.

Tal tortura também provoca e castiga os preguiçosos ao contemplarem a trilha de escadas rolantes que tem como destino uma cama dos sonhos dos vadios. Nela, tudo que é necessário para viver está ao alcance de um braço esticado.

preguiça
heaven

No alto do calvário, um par de asas e uma auréola aos santos que vencerem a maratona da perdição. Estes serão dignos de subir aos céus sendo salvos pelos seus sacrifícios.

Algo mais que deixei passar?! Comente!

Fonte: I Believe in Advertising

Superheroes Decadence: a decadência dos super heróis

Super heróis em sua grande maioria, quando criados, representam modelos de seres humanos perfeitos ou no mínimo especiais. Concordo que todos possuem um ponto fraco capaz de dar aquele breve gostinho de vitória aos vilões. Mas no final da história, por serem super heróis, eles dão um jeito de reverter a situação e sobra para o traseiro do mal ser chutado para bem longe.

O cartunista italiano Donald Soffritti distorceu um pouco esta visão criando caricaturas de super heróis em decadência, ou em vias da se aposentarem das atividades heróicas. Antes de conhecer este trabalho, confesso que era difícil visualizar por exemplo a Mulher Maravilha sem seu corpo atlético e impecável, ou o Flash usando sua super velocidade para outra coisa diferente de lutar contra o crime. Abaixo, algumas ilustrações desta série super bem humorada.

Batman-e-Robin-decadence
Decadence N°27
Flash-decadence
Capitan-America-decadence
iron-man-decadence
Wonder-Woman-decadence
Diante das imagens algumas considerações:
  • O que dizer da dupla dinâmica?! Grande irônia o Batman deixar de pilotar seu super Bat-móvel para tornar-se um Bat-cadeirante embalado por um Robin "Bolo Fofo" quase tendo um infarto.
  • É fato que Wolverine nunca teve uma mente muito saudável por conta de suas origens. No entanto, partir para uma terapia, detonar o consultório com suas lâminas, em meio a uma crise existencial no auge da terceira quarta quinta idade, é um triste fim da linha para o velho Logan.
  • Será que o Flash consegue chegar a tempo em local seguro para uma "descarga" emergencial?! A nuvem de gases que o acompanha anuncia o pior. Pobre velhinho!
  • Na visão de Soffritti Capitão América tornou-se um geek vidrado por gadgets movido a fast food. Trágico futuro para o maior dos americanos. Seu inseparável escudo já foi substituído por um iPhone 3G de 80Gb.
  • Tony Stark, o Homem de Ferro, continuará com seu status de playboy milionário intacto. Charuto cubano, partidas de golfe e armadura adaptada para o esporte que inclui bateria externa reserva (praticamente permanente).
  • Coitada da Mulher Maravilha, que de "maravilha" mesmo só restou a cintura.
Soffritti publicou em seu blog outras ilustrações desta série. Também merecem destaque Superman, Mulher Invisível e Spider-man. Em outubro o cartunista anunciou o lançamento do livro reunindo toda a série. Aos interessados encontrei no eBay.

Fonte: Donald Soffritti

Dica do brother Luis Seelig

Cartazes Antigos de Propaganda Russa

Seguindo uma bela indicação da Grase, li o artigo Russian Vintage Advertising Posters, publicado no Dark Roasted Blend, que traz uma maravilhosa coleção de cartazes comerciais antigos russos. A coletânea apresenta peças de propaganda de produtos diversos, anteriores a revolução russa 1916 e também do período comunista. Prato cheio para adoradores da arte de comunicar por cartazes.

No período que antecede a revolução bolchevique, os hábitos de consumo da população russa era semelhante aos dos europeus. Isto refletia diretamente na qualidade dos anúncios produzidos.

automovel_show
O cartaz acima divulga um show de automóveis, mas Infelizmente não entendo absolutamente nada de russo para comentar o conteúdo da peça. Do ponto de vista estético, nota-se a legibilidade da tipografia, a qualidade no traço do desenho e a harmonia da composição. Um belo cartaz!

O seguinte é um anúncio de chá russo. Pintura realista, detalhes  em Art Nouveau característicos da época (ornamentos da moldura), boa combinação de cores, volume na tipografia. Este me lembra muito os filetes Porteños que Grase encontrou na Argentina.

chá
Na seqüência, dois cartazes dignos de uma parede (lá em casa seria perfeito): um anúncio de cerveja russa e um anúncio de kvas, bebida típica daquele país feita de pão preto fermentado.

cerveja1 cerveja2
No cartaz à esquerda, uma característica interessante da época chama a atenção. As garrafas de cerveja russa eram bastante diferentes das atuais: alongadas, de forma que lembra um cone de base pequena, com maior volume e tampadas por uma rolha. O saca-rolhas gigante  carregado  pelo arqueiro no lugar de uma espada, tem sentido partindo deste princípio. Pode parecer loucura, mas me pareceu uma alusão ao santo graal. No cartaz da direita, que mais parece uma propaganda de xarope Melagrião, a figura do simpático cavalheiro convida o consumidor a tomar uma caneca do saboroso kvas (nunca bebi, mas parece bom pela propaganda).

Anúncios cômicos também aparecem em cartazes daquele período. Repare na expressão do garoto abaixo, segurando um chocolate na mão esquerda e um porrete de madeira na mão direita. Ouse tirar o doce da mão dele! No cartaz seguinte, as lagostas trajadas como pessoas não estão ali por acaso. Note que há lagostas no prato que será servido pelo garçom. Seria isso canibalismo?

chocolate
lagosta
Instaurado o comunismo, concorrência entre marcas deixou de existir no país continente. Produtos não necessitavam de diferencial de qualidade para serem mais ou menos consumidos pelo público. O objetivo das propagandas, naquele momento político, era fazer com que o povo consumisse aquilo que era produzido, afim de não haver acúmulos e perdas nos estoques. Exemplos interessantes de anúncios para este modo de produção são os dois cartazes a seguir:

fume
coma_salsicha
"Fume cigarros" é a grande mensagem do primeiro. Não necessariamente da marca A, B ou C, o objetivo era simplesmente estimular o consumo do cigarro que estava pronto para ser distribuído. Deixando de lado toda a questão negativa do cigarro atualmente, não seria muito fácil vender algo assim. O exemplo seguinte convida as pessoas a comerem cachorro quente. Não é preciso ser um gênio para perceber que o cartaz pretendia estimular o consumo de salsicha. Fiquei imaginando quais seriam as razões econômicas e estratégicas desta "ação de marketing":
  • seria uma queda no consumo de salsichas, ocasionada por uma rejeição do produto, advinda de  uma super produção?! A população não suportava mais comê-las, e para evitar que estoques estragassem o governo iniciou uma campanha de estímulo;
  • poderia ser pela baixa nos estoques dos demais produtos alimentícios, restando apenas grandes quantidades de salsicha nos armazéns;
  • poderia ser pela abertura da primeira fábrica de salsichas da Rússia, e como não existia uma concorrente, a idéia a ser difundida era "Coma salsicha".
A produção industrial existia para suprir necessidades. Se existisse uma demanda de sapatos do tamanho 42, eram fabricados tantos sapatos com esta forma para supri-la. Geralmente todos eram da mesma cor (ou com poucas opções), pois a meta era para o tamanho e não para cores.

Os dois anúncios a seguir, são pérolas que mostram que a preocupação com o diferencial na conquista do consumidor, como belos cartazes de propaganda, eram coisa do tempo do Czar.

chupeta
garoto_bebado
Nos dois casos não consigo pensar em uma associação diferente da palavra "mostro" para as duas figuras que tentam representar o ser humano. Se você não captou o que o cartaz verde e vermelho anuncia, note que as nove peças pretas a frente da "boca" do monstro de mãos de fogo, são tipos de chupetas. Relevando todos os desastres cromáticos e de forma, você daria uma chupeta dessas ao seu filho? Com certeza sim, pois eram as alternativas que existiam na época. Na peça seguinte, aquele "velhinho" bêbado, vestido de criança, segurando um copo cheio de goró e abraçando o barril, é o garoto propaganda de uma "marca" genérica de suco. Assustador!

No artigo original existem vários outros exemplos de cartazes, além destes que citei. O texto merece uma lida minuciosa pois existem outros comentários interessantes do autor. Um ponto que me chamou a atenção é a importância da divulgação de um produto mesmo no mundo comunista. Acreditava que na Rússia de Lenin, Stalin e seus camaradas, existisse somente propaganda política. Além do contraste de qualidade entre as propagandas de produtos dos dois momentos, pra mim foi uma surpresa a existência delas após a queda do Czar.

Leia também Moscou: a rica capital dos bilionários para saber o que é um russo consumista.

Fonte: Dark Roasted Blend

Propaganda Italiana (Fascista) da Segunda Guerra Mundial

Caro leitor, desde o início deste blog a equipe não passou por uma fase tão complicada, atolada de projetos e trabalhos da faculdade como agora. Tentei conciliar todas as atividades e demandas com as atualizações até onde consegui. Depois ficou bastante complicado.

Hoje deixei de lado uma pilha de coisas importantes, para colocar no ar mais uma pesquisa que fiz de materiais de publicidade do período da Segunda Guerra Mundial. Desta vez encontrei um site italiano de colecionadores de cartões postais históricos, o eSpol.com. Por sorte caí diretamente na seção de cartões do período Facista na Itália. O arquivo deles é tão vasto que dificilmente encontraria este material específico da Segunda Guerra Mundial.

Apesar de não ser um adorador de cartões postais, você sabe que minha sina são cartazes, as peças são excelentes do ponto de vista estético e histórico. As mensagens escritas nos seus versos são relíquias que resgatam detalhes daquele período.

Como sempre a lista de peças disponíveis na galeria original é grande, mas fiz uma seleção daquelas que mais me atraíram a atenção e as organizei da melhor forma para descrevê-las.

Mensagens à População

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Neste grupo de cartões, mensagens como a do primeiro, "Por uma Itália maior", é exemplo típico dos slogans fascistas da época. Tentava-se amenizar as perdas e sanções impostas pela guerra à população. Com tantas barbaridades ocorrendo, restava acreditar ou sonhar que tudo era para um bem maior. A figura dos soldados plantando a bandeira é de 1942, anterior a clássica foto de Joe Rosenthal, será um plágio?! O cartão do urso sendo destruído pelo soldado italiano lembra o povo de que sem a Marcha sobre Roma, evento que deu aos fascistas o controle do país, não haveria o avanço a Moscou, momento que o fascismo tentava se impor sobre o restante do mundo.

Líderes

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Transformar o adversário no mal a ser combatido é a estratégia mais recorrente pelos governos dos países envolvidos na Segunda Guerra Mundial. No postal da esquerda Churchill e Roosevelt são os responsáveis pelas mortes dos inocentes. Detalhes interessantes são: o inseparável charuto do líder britânico e a pilha de cadáveres ser formada apenas por crianças. No cartão seguinte, a imagem de Benito Mussolini a direita de um de seus generais está sobre a figura do continete africano, palco de grandes barbaridades durante o Neo-colonialismo da Segunda Guerra. A sigla PNF indica o Partito Nazionale Fascista e OND Opera Nazionale Dopolavoro, algo como a Organização do Descanso Fascista. A mensagem "Depois do Trabalho Forças Armadas" não fica clara neste contexto.

Águia

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Apesar do símbolo do Fascismo Italiano não ser a águia, ela aparecia no nazifascismo. Por representar um animal do topo da cadeia alimentar, predador nato, é vinculada ao ímpeto guerreiro e vencedor. Destaque para a primeira figura, onde a idéia de ataque do pássaro aos paraquedistas é sensacional, lembra muito uma batalha da trilogia O Senhor dos Anéis.

Baionetas

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Estes cartões comemorativos homenageiam divisões e armadas vitoriosas do exército italiano. As baionetas apontadas para o mar indicam a proteção dada pela 7a Armada a costa italiana. A que tem forma de número 1 simboliza as vitórias da 5a Divisão CC NN S. As chamas apontadas pelas três baionetas, indicam o local onde ocorreu o confronto vitorioso da 5a Divisão Alpina.

Orgulho das Tropas

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A propaganda de guerra deve ser eficiente não somente com a população civil, mas também com seus homens de guerra. Do front aos mais altos níveis hierárquicos do exército, suas mensagens devem mantê-los focados no ideal em questão. O postal da esquerda mostra um soldado italiano marchando ao lado de um alemão juntos aos dizeres "Dois povos, uma vitória". Na verdade a vitória mesmo era de um povo, mas Hitler deixou claro aos italianos o preço por não segui-lo. No cartão seguinte, a palavra vitória ao fundo é o suporte da mensagem "Para a Nova Ordem Social...". O último, além do movimento e da expressão dos soldados, no canto inferior direito aparece o "machado de lictor", ícone do partido fascista italiano.

Além destes belos exemplos, a galeria contém muitas outras peças com descrições detalhadas de seus períodos e conteúdos. Outra razão para visitar a coleção completa, é a possibilidade de ler as mensagens originais escritas neles. Não me arrisquei a traduzir seus conteúdos. Meu italiano anda muito enferrujado e suas caligrafias são incrivelmente difíceis de se compreender.

Se você encontrar alguma coisa lá que possa ser acrescentada ao texto, comente!

Não deixe de visitar os posts Propaganda Americana Pré Segunda Guerra Mundial  e Propaganda Alemã (Nazista) Pré Segunda Guerra Mundial.

Fonte: eSpol.com